Moacir Pereira e a minha entrevista na íntegra sobre a BR-470





1-O governador Moisés quer aplicar os 200 milhões da BR-470 nos lotes 1 e 2. Por que o senhor defende uso nos quatro lotes?

Eu defendo primeiramente que o governo do Estado se certifique que as rodovias estaduais estejam em ótimo estado de conservação, a ponto de poder abrir mão desses recursos. Assim, eu apoiaria totalmente que o governador invistisse nas rodovias federais, mas de forma efetiva, e não só uma nova jogada marqueteira para tentar recuperar a imagem abalada com o escândalo dos respiradores. Os lotes 1 e 2 já estão na fase final, quase prontos. Há recursos suficientes do Governo Federal até o seu término. E a entrega deverá acontecer, com toda a nossa cobrança (minha e do Fórum), em fevereiro ou março do ano que vem. Se o Governo do Estado quiser ajudar de verdade que a obra chegue o mais rapidamente até Indaial, que coloque dinheiro nos lotes 3 e 4. E mais: o maior índice de acidentes com mortes acontece justamente nos lotes 3 e 4, que precisam de recursos para concluir as desapropriações, para fazer acessos e liberar o trânsito. Não se trata de uma questão qualquer, se trata de uma rodovia federal em que quase uma centena de vidas se perdem por ano, além do atraso para o Vale do Itajaí, o que prejudica a economia do nosso estado. Eu espero que a questão seja tratada com responsabilidade pelo Governo do Estado, e que ele deixe de lado questões eleitoreiras e nos ajude de verdade a solucionar os problemas da BR-470, em especial para o trecho de Blumenau.


2- É verdade que o senhor convenceu o DNIT a aplicar a verba nos 4 lotes?

Eu não convenci ninguém. O ministro Tarcisio Freitas é que tem analisado, junto ao órgão, esta questão. Foram apontados os gargalos e as dificuldades, e eu concordo em todos os aspectos. Acho que o governador precisa levar em consideração o posicionamento do Ministério e do Dnit. Eu sinceramente espero que ele seja razoável. O Governo do Estado deu até entrevista, nesta quinta-feira (15), ao ND, cheio de ilações sobre uma suposta pressão minha na escolha dos lotes, dizendo que o ministro Tarcisio Freitas tinha mudado de opinião. O material até falta com a verdade, ao afirmar que o ministro foi recebido por mim em junho, aqui no estado, e que fomos apenas ao Contorno Viário de Florianópolis. A verdade é que eu nem estava aqui nesta visita, e quem tão bem recebeu o ministro nessa ocasião foi o Esperidião Amin e o Dario Berger. Então, se vê uma tentativa de criar uma narrativa descabida e justificar a preferência do Governo do Estado pelos trechos mais adiantados. O próprio secretário Thiago Vieira já havia dado entrevista falando que a escolha dos trechos tinha a ver “poder mostrar obra pronta”. Os catarinenses não podem pagar a fatura das tentativas do Governo do Estado em querer melhorar a imagem para a eleição no ano que vem. Melhorar a imagem é responder onde estão os R$ 33 milhões e quem foram os responsáveis pelo escândalo dos respiradores.


3- É possível o ministro decidir por 2 lotes apenas?

Eu tenho conversado com o ministro Tarcísio. Ele sempre se mostrou um homem muito solícito, mas acima de tudo muito firme nas suas posições, Santa Catarina sabe disso. Ele está sensível aos pleitos da nossa bancada catarinense. Acho difícil ele decidir por dois lotes apenas, uma vez em que só irá ajudar efetivamente se os recursos forem pulverizados nos quatro lotes. O projeto é de duplicação dos quatro lotes, não de dois lotes apenas.


4- Opinião sobre a CPI da Covid-1?

Uma grande perda de tempo. Uma CPI que tem o Renan Calheiros como relator já nasce com pouca credibilidade. O Brasil conhece bem o senador Renan Calheiros, e não tem dúvidas sobre as reais intenções do G7. Eu estou lá para buscar a verdade em relação a atos de corrupção que ocorreram de Norte a Sul nos estado e municípios, aí sim, uma roubalheira sem fim. Infelizmente, nós, em Santa Catarina, vimos o nome de nosso estado envolvido num episódio que tanta vergonha nos causa e continua causando pela falta de resposta. Voltando à CPI, eu não me dou por vencido: faremos de tudo para abrir a caixa-preta dos governadores, mesmo que o objetivo da CPI seja apenas sangrar o presidente Bolsonaro, de olho em 2022.


Entrevista publicada originalmente no Jornal Notícias do Dia de 19/07/2021

Foto: Patrick Rodrigues - Santa


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